
encontra-o
e refugia-se lá dentro
sabe que não era suposto estar ali.
continua como se de facto não estivesse
mas uma voz familiar chama-a de volta à realidade:
- então mas..
não dá resposta
não tem nenhuma..
ali perto uma voz chama:
- papá, papá!
não consegue ver quem era
do lado de cá o miúdo insiste:
- então mas...
... mas ele há "mas" que não têm resposta,
nem para ela.
chora por dentro enquanto o vai distraíndo com as novas aquisições
aguenta.
finalmente só,
as lágrimas libertam-se e desatam a cair
é sufocante o constragimento de encarar a realidade de ser ninguém
mais uma vez, este não foi o dia dela... nem deles
não há motivos para festas,
nem são precisas coisas para sublinhar isso
tenta dormir mas lá dentro ecoa-lhe ainda a perplexidade do miúdo:
- então, mas ele estava com um amigo!
- sim, o amigo pode.

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